Quantas vezes você vibrou com um gol e, segundos depois, a bandeira subiu? A regra do impedimento no futebol gera mais debate nas arquibancadas do que qualquer outra do esporte. Conhecer como ela funciona transforma a forma de assistir a uma partida e ajuda a entender por que o árbitro toma certas decisões no momento mais tenso do jogo.
O que é o impedimento e qual é sua função no jogo?
O impedimento impede que atacantes fiquem parados perto do gol adversário esperando a bola chegar. Sem essa regra, o futebol perderia a essência tática e viraria uma disputa de passes longos sem organização coletiva. Primeiramente, entenda que a regra não pune a posição em si: ela pune a vantagem injusta que o jogador obtém a partir dessa posição no momento exato do passe.
Quando o árbitro marca o impedimento?
Para o árbitro marcar o impedimento, três condições precisam acontecer ao mesmo tempo. O jogador precisa estar no campo adversário. Além disso, ele precisa estar mais próximo da linha do gol do que a bola e do que o penúltimo defensor. Por fim, ele precisa participar ativamente da jogada: tocar a bola, perturbar o goleiro ou interferir no movimento de um defensor.
O árbitro avalia a posição no momento exato do passe, não quando o jogador recebe a bola. Por isso, mesmo que o atacante demore para receber, o que vale é onde ele estava quando o companheiro tocou.
Quais partes do corpo o árbitro considera?
Desde a atualização do IFAB em 2020, braços e mãos saíram da análise. O árbitro considera somente as partes do corpo com que o jogador pode marcar gol de forma legal: cabeça, tronco e pernas. Entretanto, isso cria situações específicas: um atacante com o braço à frente do defensor fica em posição regular, mas ombro ou tronco mínimos à frente já colocam o jogador em posição irregular.
Quando o árbitro não marca o impedimento?
A regra define claramente as situações em que o árbitro não pode marcar o impedimento, independentemente de onde o jogador estiver:
| Situação | O árbitro marca? |
|---|---|
| Cobrança de tiro de meta | Não |
| Cobrança de escanteio | Não |
| Arremesso lateral | Não |
| Adversário toca deliberadamente a bola | Não |
| Jogador no próprio campo | Não |
| Jogador na linha do penúltimo defensor | Não |
| Jogador não interfere na jogada | Não |
Todavia, existe uma situação delicada chamada “ganhar vantagem”: se o jogador em posição irregular aproveita um rebote da trave ou do goleiro adversário, o árbitro marca o impedimento, pois o atacante obteve vantagem direta de sua posição irregular.
O que acontece quando o árbitro marca o impedimento?
O impedimento não gera cartão. O árbitro concede ao time adversário um tiro livre indireto, cobrado exatamente do local onde o jogador estava quando cometeu a infração. Se o lance acontece dentro da grande área, o time cobra de dentro da mesma grande área.
O que o VAR faz nos lances de impedimento?
O VAR não recomenda ao árbitro a revisão de um lance de impedimento como faz em casos de pênalti ou cartão vermelho. O sistema de vídeo simplesmente informa ao árbitro se houve ou não a infração, com base nas imagens disponíveis. Na Copa do Mundo de 2022, a FIFA aplicou o sistema SAOT, que usa câmeras e sensores para rastrear jogadores e bola em tempo real e reduziu a margem de erro para aproximadamente um centímetro.
O que pode mudar na regra em breve?
Por fim, Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal e atual diretor de desenvolvimento de futebol da FIFA, propôs a chamada “Regra Wenger”, que está em fase de testes em divisões inferiores de alguns países. O modelo muda o critério atual: o árbitro só marcaria o impedimento quando o atacante estivesse totalmente à frente do defensor no momento do passe. Se qualquer parte do corpo autorizada para finalizar estiver alinhada com o zagueiro, o lance passa a ser legal. A proposta reduz os gols anulados por diferenças de centímetros e torna o jogo mais fluido.
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